A ilusão é fugaz, ela chega até a ser maligna, te leva ao topo, ao ápice e te derruba lá de cima, mas não te mata, ela te tortura, até que a dor da queda vá se desvanecendo, ou te devastando.
A dor da perca da ilusão é branda e ao mesmo tempo aguda. O desapontamento que vem com pitadas sutis de orgulho, de desespero, que chega a parecer melhor pairar sobre a nevoa do devaneio, sentir-se bem por inteiro, completo, copo cheio, do que o súbito vazio do medo.
Eu odeio, não a ilusão mas o processo de se iludir, não por se iludir mas por ser uma ilusão, e como toda ilusão, ter uma revelação.
É difícil esperar demais por algo que não existe, e sentir-se viva por inteiro, finalmente sentir os sangues em suas veias e de repente, sentir a fria morte tocando seus lábios e matando tudo que há em ti.
Aqueles olhos, eu TINHA certeza, eu achei ser verdade o que tinha na minha cabeça, e agora não confio mais em mim, virei uma piada para mim, acabou o orgulho de ter a certeza de tudo ali.
Depois da verdade, enfim desisti, e me entreguei a morte que há por vir.
Mas morte também é um processo, ela machuca muito antes de finalizar, destrói por dentro tudo que tiver lá e então só nos resta lamentar, os poucos momentos de vida que a ilusão quis proporcionar.


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