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Mostrando postagens de janeiro, 2018

A casa sem espelho

Quando andava pela casa dava para se ouvir o rangir das madeiras, que só era audível por conta do silencio que sempre pairava no ar. A casa ficava escondida entre as plantas, parecia fazer parte da natureza daquele lugar distante da cidade. Uma senhora ia todos os dias para lá, limpar, fazer a comida que duraria para o dia todo e tentar animar a moça que sempre triste vivia lá a morar. Mas com o tempo ela desistiu de cumprir a ultima tarefa, acostumou-se a apenas entrar, fazer as coisas e sair, nem palavras cordiais tentava proferir, já não adiantava falar algo ali, a moça nunca iria responder ou sorrir. Já era de praxe, quando chegava a encontrava no canto do escritório escrevendo em seu computador empilhada de livros iluminada apenas pelo seu abaju de cor laranja e os raios do sol que entrava de leve na janela fosca, a moça não se dava nem ao trabalho de olhar para a senhora quando ela chegava. Antes a senhora se incomodava, mas hoje, já nem se importava. Para evitar contato...

Idosos

Estávamos no mesmo lugar de sempre, nossa poltrona já tinha o formato do nosso corpo e se encaixava perfeitamente ao sentar, Susan nem se espantava ao ouvir meus gemidos ao levantar, por causa da coluna que já não era mais tão sadia, e nem achava estranho quando eu voltava ofegante depois de ter ido até a geladeira e voltado para me sentar, já era rotina e os passos já eram tão previsíveis, não só para ela sobre mim, como para mim sobre ela. Aquela memoria falha dela e suas inúmeras reclamações de novas doenças, dores e temores, suas paranoias inconstantes e suas invenções interminantes de historias que não parava de gostar de falar e escrever, nunca foi de escrever muito bem, além dos erros ortográficos, de virgulas e até sua letra era ridícula, mesmo assim eu nunca deixei de incentivar. Já estávamos exaustos, de tão conhecidos, nossas conversas não passavam de 2 minutos corridos, o resto era só a presença um do outro no mesmo lugar - Minha cara Susan - eu começa a falar, com...

Relação Passageira

Eu sei que você, caro, raro, impossível, inacreditável e talvez até imaginário leitor, espera que hoje, ou talvez nem espera, eu faça um daqueles meus textos dramáticos, confusos, estranhos e patéticos, mas hoje não, espera, desculpa, na verdade, até esse momento, já que não me garanto até o fim do texto, mas até esse exato momento, NÃO. Na verdade, eu sou do tipo de pessoa que além de andar em devaneios mentais que nada condizem ou condizem bem pouco com minha realidade sórdida, também gosto de inventar pequenas historias sem um inicio preciso e um final calculado, faço isso constantemente, na verdade, e já escrevi umas, ou uma, não me lembro, aqui. Pois vamos a ela. ________________________________________________________________ Ouvia-se o "bip" da estação, os ranger das engrenagens, sentia-se o cheiro indecifrável de poluição no ar misturado com calor humano e o frio do lugar, era de fato uma mistura de sensações que ela não estava acostumada, viajara de tã...

Frases e pequenas reflexões

Eu sempre soube que as pessoas iam me magoar, mas sempre deixei rolar, o motivo, eu não saberia falar, talvez porque sempre quis saber do que são capaz, ou até onde iriam, e não me surpreendiam quando chegavam lá, parece que fico até o fim só para falar: eu disse que era assim que ia acabar. ______________________________________________________________________________ LIXO, LIXO, LIXO, LIXO, LIXO, LIXO, LIXO, LIXO, LIXO, lixo, lixo, lixo, lixo, tudo que escrevo parece um grande empilhado de material descartável que não serve nem para ser reciclado, mas mesmo assim eu gosto de "falar" e palavras digitas, porque escrita, seriam ainda piores com o adicional da minha letra horrível, mas como sou doida ainda me pego rindo ao pensar "quem sabe um dia eu consiga me sustentar só com a escrita", que sonho de menina egoísta que não quer trabalhar, só quer falar, falar e falar. Já pensou se em um futuro essas minhas escritas alguém um dia comece a estudar? E tentar...

Sequestra(dor

Você me levou até o poço e eu me joguei e a cada paço que dou me afundo ainda mais na areia dentro dele, e as vezes eu até cavo ajudando me afundar ainda mais, quando penso que você esta jogando a corda para me salvar, na verdade, você esta me mandando uma pá, e eu cavo achando que vou me salvar, que talvez a china eu vá encontrar e começo a achar que na verdade a terra é quadrada, e no final terá apenas o escuro e solitário universo sem fim e vazio, sem cor, onde as estrelas são ilusão de planetas tão podres quanto o meu. Eu me sequestrei mas você que é meu sequestrador, que faz do poço a morada da minha dor, que me faz querer me lambuzar com todo esse temor e me deleitar com a sujeira do fundo do poço do terror. Lá de cima, tão cruel quanto como se estivesse embaixo, não faria diferença, isso é fato, pois eu estava fazendo comigo o mesmo que você faria se estivesse ali, mas preferia ver eu me ferir, divertido a manipulação que pairava por ali, e eu nesses joguinhos cheguei a me ...

Família

Eu fui a um casamento no final de 2017, e de certa forma ele me marcou, não sei se é porque foi o ultimo casamento que fui até então, ou se o motivo é a raridade de ir em um, ou até mesmo por dessa vez eu ter prestado atenção, mesmo que minima, em algumas palavras do cerimonialista. Quando se assume um casamento toma para se a família da outra pessoa, uma junção de famílias, essa foi a parte que mais impregnou na minha mente, e é um fato até, a gente não casa com a pessoa, casa com a família e com todos os problemas que vem com ela, como se a nossa própria já não fosse o suficiente. Mas o que me fez pensar bem foi que, casar seria adquirir pra se não só esses problemas como criar novos problemas em conjunto com a outra pessoa, ou seja, o casamento é um emaranhado de problemas que nunca param de crescer, é estranho se parar pra pensar que casar é sofrer. Falam em dividir problemas mas eles só acrescentam problemas aos seus, é uma matemática meio mal calculada essa de dividir ...