Não pire... Não pire... Não pire.. Não..............
Me pego por diversas e diversas vezes pensando isso, me ordenando, me orientando a não pirar. Augusto Cury disse que temos gatilhos em nossa mente que nos leva a agir e pensar conforme os ativamos, os meus, eu acredito que são gatilhos de uma arma suicida ou uma armadilha em meio a labirintos que eu evito chegar lá, mas não dá.
Sempre que me sinto feliz e satisfeita, eu paro para apreciar o momento e em súbito, eu digo a mim mesma: "esse momento é maravilhoso, não quero que acabe, não pode acabar, por favor, não pire....", e sabem o que acontece? Eu piro, porque eu entro em minha própria armadilha de não tentar pirar.
Eu tinha uma amiga, ou tenho uma amiga, que eu costumava falar sobre meus problemas, minhas tristezas, minhas pirações, ela mora muito longe, por isso que sinto-me a vontade de dizer o que bem entender, porque se ela me achar louca demais, ao menos sou uma louca longe, mas teve um momento, um exato momento que me destruiu, realmente o fato de dizer que palavras marcam, ferem e te destrói é real, e nesses dias de total procrastinação essas palavras tilintam em minha mente como grandes martelos automáticos e infinitos, ela disse: "acho que você esta viciada em sofrer, sempre que você esta bem, você encontra uma forma de se sentir mal, você busca paranoias, busca qualquer detalhe para aumentar e se fazer sofrer, você se sabota, acho que no fundo você gosta de sofrer, porque você nunca esta bem...". Isso me doeu, doeu tão profundamente que ela nunca imaginará o tamanho da dor, na hora eu pensei: "caramba, foi esse tipo de pessoa que me tornei?". Passei tanto tempo ajudando as pessoas, ouvindo as pessoas, e me tornei a pior delas, aquela que incomoda as outra por problemas fúteis. Será se realmente estou viciada em sofrer? Eu sou mesmo esse tipo de pessoa? Eu realmente nunca viverei em paz e a culpa é toda minha?
Desde esse dia eu nunca fui mais a mesma, quando estou bem, eu me lembro disso que ela disse e logo fico mal. Não sei qual efeito ela queria causar com isso, tenho certeza que não foi intencional, só a imaturidade dela em tentar me ajudar que acabou me destruindo, e a culpa é toda minha por ter ouvido e agora, isso virou o meu gatilho.
Eu não quero ser viciada em sofrer e deveria fazer algo para parar isso, mas eu não sei e nem posso importunar ninguém com isso, porque ninguém tem haver.
Hoje mal falo com ela, não por causa disso, claro, por outros motivos, mas sua voz ainda fica na minha mente e se mistura com a voz de outra alguém que diz: Não pire.
É engraçado como coisas ruins marcam, ficam, e são lembradas constantemente por mim, realmente, talvez sofrer seja mesmo o que eu quero pra mim, inconscientemente falando, e frequentemente lutando contra.
Hoje, eu tenho apenas uma pessoa que me ajuda, que me entende e que me faz ver a realidade quando eu desmorono completamente em minha própria loucura e em meu próprio labirinto, ele é como se fosse a pessoa que tem o mapa e sabe os caminhos, que pega na minha mão e me faz voltar pro chão e diz que eu realmente não sou louca, e que é normal se sentir perdido, mas acho que com essa minha maneira sufocante de ser, ou essa minha forma de esquivar, uma hora ou outra ele não vai mais aparecer e eu terei que lidar com esse labirinto sozinha, porque é assim que deve ser.
É como andar de bicicleta, por um tempo eles andam contigo te segurando para você aprender a manter o equilíbrio, mas você não pode andar sempre apoiado, isso não seria dizer que sabe andar de bicicleta, uma hora eles te soltam e te deixam ir sozinho, e não estarão perto para te segurar quando você cair, quando você se machucar. E vai chegar um momento que você nunca mais os terão por perto e andará sozinha para sempre....
Isso é bom ou ruim? Eu não sei, eu só sei que eu sei que sempre irei cair, na esquina, na rua cheia de buracos ou mesmo naquele asfalto plano, e não adianta o que digam, nunca estamos preparados para cair, mas quantas quedas são preciso para pararmos de chorar?
As vezes sinto que vou enlouquecer, não porque estou a deriva no mar de procrastinação, eu posso esta ocupada com milhares de coisas em vão, eu sempre entrarei nessa armadilha da tristeza sem razão e da loucura repentina e sempre me encontrarei sem saber como me interpretar ou o que dizer para alguém me ajudar, simplesmente as vezes não dá, nem para aquela pessoa que esta sempre a me ajudar, não consigo digitar e dizer em palavras o que ao certo esta a me esmorecer, eu simplesmente só estou, e me sinto até mal em não conseguir dizer.
Acho que apenas nesses momentos devo ficar sozinha, talvez, não sei, eu nunca sei o remédio para isso, não são hormônios, tenho certeza disso, pode ser sono, dizem que sou um panda eu mesma digo, ou pode ser apenas............ solidão....... ou falta de emoção....... ou falta de historia.......




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