É intrigante olhar para a minha vida e ver o quanto meus sonhos mudaram. Quando criança queria ser aeromoça, porque via aquelas moças lindas de meia calça preta e saia, super educadas, queria ser como elas, bonitas, mas viajei de avião apenas uma vez, que foi quando as vi e tive meu primeiro sonho de carreira, nunca mais viajei e o sonho se apagou.
Depois quis ser veterinária, acho que toda criança passa por essa fase, acha os bichinhos bonitinhos e quer logo cuidar, mas comecei a ter medo de cachorro quando tentei fazer carinho em um e ele latiu pra mim, o medo passou, mas a vontade de cuidar deles me pareceu supérflua e então o sonho morreu.
Depois descobri me descobri no mundo da musica aos 08 anos, sonhei tanto em ser cantora gospel, arrisquei cantar na igreja, me elogiaram tanto que acreditei que realmente eu sabia cantar, então esse sonho ficou tão grande, tão palpável que eu chegava a sonhar, literalmente, com isso, eu no palco, ou na tv, cantando para Cristo, puramente com aquele sentimento da voz tocar em minha alma, eu cantava o tempo todo, lavando louça, limpando a casa, sem fazer nada, eu vivia para cantar, a musica me movia, eu realmente era feliz, mas a minha própria igreja me derrubou, começaram a tirar a minha segurança e me fizeram duvidar se realmente eu cantava mesmo, mas o pior de tudo foi ver que havia uma disputa em quem cantava melhor, e se minha voz causava algo ruim, eu preferi não cantar, e se cantando musica gospel eu não sentisse Deus por causa da insegurança, preferi deixar para lá.
Mas ainda insistindo na musica, por volta dos 14 anos, conheci Evanescence e decidi que seria cantora deste estilo, aprendi todas as suas musicas e conheci já jovem a Jessie J, e dai decidi sonhar com os palcos, porém agora com estilo Blues, Jazz, Pop e Rock, mas com o tempo eu me convenci que não tinha talento suficiente para isso, nem tempo, o mundo exigia de mim responsabilidade, não tinha ousadia o suficiente para tentar ir além, muito menos para subir em um palco e cantar com a segurança e destreza que a carreira exige, nem tão pouco o apoio para viver disso, então aos 20 anos me vi sem sonhos, sem apego a nada e triste por saber que nunca seria uma cantora. Ser cantora foi e sempre será o meu maior sonho que desisti.
Após isso, sonhei em ser escritora, e ainda tenho esse sonho vivo em mim, talvez diria que é meu segundo maior sonho, mas o pais não esta preparado para me sustentar como escritora, para eu viver apenas disso, então virou mais um hobbie entre tantos.
Desde então fui em uma busca incessante de saber o que queria ser, Engenheira de Minas, Médica Psiquiatra e então me convenci, a todo custo, que queria ser psicóloga, porque pra ser psiquiatra precisaria fazer medicina, e eu nunca achei que tenho bagagem e capacidade intelectual para isso, teria que estudar o dobro para chegar perto de quem teve uma educação firmada para isso, achei que era tarde demais para medicina, então me apeguei a isso, mesmo sabendo que eu estava forçando uma paixão, não era bem o que eu realmente sonhava, mas o que eu me forçava a sonhar para não ficar em um poço de nada, eu precisava ter um objetivo, um motivo para continuar vivendo, e então, consegui chegar perto disso, entrar nunca faculdade de psicologia e então tiraram novamente esse sonho que me forcei a sonhar, mas como sabia que era forçado, não fiz questão que não tirassem ele de mim. Então me encheram de duvidas, medo de estudar 5 anos e não arranjar emprego na área igual meu curso técnico de 2 anos em mineração. O medo e o sonho frágil me fizeram desistir.
Por falta de opção, entrei para enfermagem e me forcei, e ainda me forço todos os dias, para tornar isso em um sonho, não me entenda mal, gosto muito de prestar assistência, mas sinto que isso vai me entediar, eu digo que quero ser gestora, que quero ser alguém importante na minha área, mas tenho 27 anos, coloquei os pés apenas na beira da água e já me assustei com o frio, eu já estou tão cansada e ainda nem cheguei aos 30, como iria sustentar essa mascara de sonho falso, que nem consigo me forçar como fiz com psicologia.
Não me encaixo em outros sonhos, não consigo ser a garota prendada e do lar, não me vejo dedicada a corrupção da saúde e nem me vejo mecânica atendendo um paciente em casa. Não me encaixo furando veias, nem tão pouco trocando sondas, nada disso me causa tesão, serotonina, ilusão, nada me faz permanecer, querer estar vivo, me motivar. Nada disso me faz idealizar como serei daqui 5, 10, 15 anos, quando penso nesses anos por vi eu apenas vejo....... o escuro, a incerteza, a sombra das minhas frustração e o cansaço, o desanimo de cada dia e a tristeza de não me encaixar, não me vejo com filhos, não me vejo bem sucedida, eu apenas vejo o escuro do quarto e minha sombra refletida da porta aberta e isso me entristece.
Uma vida dedicada a ser alguém bom, para não ter se quer um futuro digno, faz eu questionar o motivo de estar vivo, faz tudo parecer em vão, faz tudo parecer sem sentido....
Enfim, é isso... assim como quando criança, a morte não é assustadora, me parece mais libertadora ou até...... um sonho
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