Eu sempre me apaixonei por pessoas virtuais, eu sei, isso soa ridículo assim quando é lido, mas você já se apaixonou por alguém assim? Se você já se apaixonou, sabe exatamente do que estou falando, todo aquele sentimento, toda aquela sensação, toda aquela emoção, criada e fantasiada de alguém que só existe na sua cabeça, mas que tem nome, telefone e rosto, só que tenho uma noticia, caso você esteja passando por isso nesse exato momento: ELE NÃO EXISTE.
Ao menos, não da maneira que você imagina, aquela voz, aquele jeito de falar, aquele jeito de sorrir, o jeito de pensar, a forma como ele mexe contigo e talvez até o primeiro beijo que você imagina, ou o sentimento que você acha que ele tem ou aquela inteligencia superficial criada, nada disso existe, só é uma invenção do seu cara perfeito, que tem defeitos, mas que é perfeito.
Mas, voltando, eu sempre me apaixonei por pessoas assim, porque eu sempre tive medo, medo de amar de verdade, de me apegar, medo de pessoas, medo de tudo, medo de nada ser como eu quero e essas pessoas pelo menos eu posso imaginar, eu tenho a imaginação muito fértil, muito alta, eu sou quase uma autista centrada, eu sou o meu maior problema.
Eu me meto em projeto, me encho de coisas, para esconder meus sentimentos, mesmo me mostrando tão frágil, eu sou frágil, por gostar demais e a culpa é inteiramente minha.
Minha primeira paixão virtual, a de verdade, e não aquele primeiro garoto que eu acabei com a vida dele depois que sumi por descobrir que ele não era o que eu criei, nessa época nem fazia ideia que a culpa era minha, mas depois eu descobri que sou assim, eu sou rude, eu sumo sem me preocupar com o sentimento da outra pessoa que dever ter me imaginado também. Eu estou perdendo o foco novamente, é que eu tenho tanto o que falar e nada a dizer.
Prosseguindo, o primeiro, ele era perfeitamente o que imaginei, porque ele era exatamente toda aquela merda que não valia de nada mas incrivelmente sexy, ele era podre e era o cara rebelde que eu precisava, a minha fase, e olha só, ela nem foi com um cara real. Eu queria ter conhecido ele, no vídeo ele tinha aquela voz, aquela postura, aquele jeito no olhar, de falar, de sorrir, ele era tudo aquilo que imaginei, até seu rosto quadrado e sua forma de fumar. Eu queria ter enlouquecido com ele, cometido os erros, eu queria ter me arrependido, de verdade, sentido na pele, sentido o corpo, o beijo, o erro, o real, o calor, eu queria ter sentido, e talvez, se eu tivesse ousado mais, eu teria conseguido, mas não fiz, eu fugi, me escondi, fui embora.
E agora me encontro em outro caso, porém totalmente, tão mais real e tão mais impossível e não sei porque, mas todo o meu corpo diz que não vai dar certo se caso fosse possível ser de fato real, mas...
Sempre tem um Mas. Eu criei coisa demais e tirei coisa demais e já nem sei o que é real. Eu nem sei se eu sou real, nem sei mais o que quero nem o que devo e eu mergulhei tão fundo em tudo isso que não me encontro mais, não me enxergo mais e nem enxergo ele.
Eu me afoguei, me afoguei na imensidão que há em mim e eu sinto medo, porque eu sempre soube o que há por vir, eu conseguia prever meus passos, mas agora não, tudo mudou e eu me desconheço e me afundo, é como se eu estivesse nadando achando que estou indo para cima, mas estou de olhos fechados nadando para o fundo desse mar que não é mais meu.
Eu estou morrendo, morrendo aos poucos e ninguém esta me matando, eu estou em um suicídio acidental.
Eu sempre tive medo, eu acho que tenho um bloqueio, eu quero sentir mas não quero e luto constantemente com essas duas coisas dentro de mim e eu sinto vergonha.
Eu sempre me apaixonei por pessoas virtuais porque elas são impossíveis de encontrar e de fazer acontecer, e porque por elas eu posso sentir e me quebrar internamente, só internamente, e sofrer, e chorar, sem que ninguém fale, sem que ninguém se meta, sem que ninguém saiba, porque no fundo, eu acho que amar é uma fraqueza e só mostro ela virtualmente, porque eu tenho certeza que será impossível. Eu acho que sou uma masoquista, eu gosto de sofrer em silencio, sozinha, sem que o real, esse mundo real, saiba ou possa me impedir.
Eu sou uma suicida no fundo do mar, morrendo sem querer, por um acidente causado por mim mesmo que sabe que se algo der errado, eu simplesmente posso.... sumir....


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