Eu parei pra pensar que a tempos não ouço o canto do galo, esse canto me dá nostalgia de quando eu ia pra casa da minha avó nas férias, me transmitia paz de uma manhã silenciosa de uma casa humilde em que ela nos deva geladinho para agradar, lembro do jeitinho dela todo especial de nos receber chorando em sua casa, de tentar dar o máximo de conforto que podia, mesmo não tendo condições, lembro das horas que ela passava no quintal da casa, na cozinha e do seu cheiro natural.
O canto do galo me lembra do banho com pote e da água fria, do cheiro de terra molhada depois de tomar banho, do cheiro das galinhas no quinta e do patio limpo embaixo de tantas mangueira, do cheiro do chiqueiro que ficava perto da foça e da comida de roça.
O canto do galo me lembra de infância, de quando não pensava em nada além de brincar e das inúmeras historias que eu criava na minha cabeça, eu mesma me espantava com a minha capacidade de criar o tempo todo, eu poderia parar por um segundo, já estava ali, criando uma história bem construída e me divertia sozinha com o desenrolar do enredo, tal como nos livros, meus personagens bem desenhados na minha mente que eu poderia vê-los exatamente como eram, podia sentir o toque, as sensações, era tão concreto que se eu não tivesse controle me perderia nisso.... me lembro que até as montanhas e arvores, matos e aves se transformavam em personagens bem delimitados prontos para brotar.
Era incrível, sinto falta disso, do canto do galo, do cheiro da terra, do sorriso da minha avó, da comida da minha avó, das gaitadas das crianças, do jeito deprimido do meu tio, do cheirinho de roça e da curiosidade das pessoas de cidade pequena.
Eu sei que não tem mais como voltar e que minha memoria do que aconteceu nunca será tão pautável como as histórias que criei quando criança, mas é bom saber que tenho um passado, sempre achei que eu era um objeto partido do presente e de um curto passado de 1 à 2 anos, mas nunca me senti pertencer, parece que só vivi a partir do ontem e que o agora é fruto do que criei, mas saber que tenho um passado me alivia por horas, até entrar na minha paranoia de não pertencer.
Comentários
Postar um comentário