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Ano Novo

 Nada novo, todo ano novo os mesmos costumes e as mesmas tradições.

Mas eu gosto, amo ver a decoração de natal se misturar com fogos de artifícios no céu da varanda da minha casa, como se fosse algo especial que você esperou acontecer e aconteceu, você se sente protagonista, observada e em cena de filme, você se sente especial. Essa é a minha sensação.

Mas este ano não tanto. A depressão deu um jeito de estragar tudo, mesmo rodeada da minha família, tudo parecia uma nevoa triste, até os fogos de artifícios pareciam artificiais demais e não dava muito para ser visto, uma enorme triste, além de como em todos os anos, ter passado sem o meu amor, mesmo estando casada.

Isso me fez refletir muito sobre a minha dependência emocional. Sempre tentei me assegurar que isso não acontecesse, mas sabia que era inevitável, e agora casada, me deixei livre para amar, e amar aparentemente significa depender.

Não que eu deposite toda a felicidade do meu mundo nele, nem de longe é isso, até porque mesmo ele estando aqui ainda sinto o meu vazio, ainda tenho muitos planos e sonhos que me deixariam feliz que não envolve nem 1% dele, mas a sensação é de pertencimento, de sentir a companhia, o calor, o afeto.

Talvez eu tenha passado tanto tempo sozinha que acabei depositando essa expectativa em mim, e no final, ele conseguiu suprir essas expectativas me deixando completamente absorvida.

Sinto que estou feliz, mas não realizada e completa. Tem tanta coisa que quero fazer, mas que me sinto fraca demais para conseguir. Isso me faz refletir muito sobre o fracasso, no final acho que estou sempre falhando e que tudo que vivi de sucesso foram fruto do privilégio que tive a vida toda, a sorte de ter pessoas que gostaram tanto de mim que facilitaram tudo e me deram boas avaliações, mas na verdade não mereci, apenas amaciei o coração deles a ponto de me deixarem passar e agora essa facilitação resulta nessa grande quantidade de frustração de competições que não vê rosto, nem coração, muito menos capacidade e me resta apenas o fracasso de talvez um dia chegar em algum lugar ou morrer na praia com um diploma na mão.

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