Você me levou até o poço e eu me joguei e a cada paço que dou me afundo ainda mais na areia dentro dele, e as vezes eu até cavo ajudando me afundar ainda mais, quando penso que você esta jogando a corda para me salvar, na verdade, você esta me mandando uma pá, e eu cavo achando que vou me salvar, que talvez a china eu vá encontrar e começo a achar que na verdade a terra é quadrada, e no final terá apenas o escuro e solitário universo sem fim e vazio, sem cor, onde as estrelas são ilusão de planetas tão podres quanto o meu.
Eu me sequestrei mas você que é meu sequestrador, que faz do poço a morada da minha dor, que me faz querer me lambuzar com todo esse temor e me deleitar com a sujeira do fundo do poço do terror. Lá de cima, tão cruel quanto como se estivesse embaixo, não faria diferença, isso é fato, pois eu estava fazendo comigo o mesmo que você faria se estivesse ali, mas preferia ver eu me ferir, divertido a manipulação que pairava por ali, e eu nesses joguinhos cheguei a me divertir, mas quando olhava para o chão via o quanto eu me perdi.
Pensei em pedir socorro, no entanto, estava fundo demais para ser ouvida, esses sussurros em meio a gemidas que me fazia sorrir e chorar, sem saber o que falar.
Mas depois do vicio, não se sabe mais como parar, sem visitas constantes do meu sequestrador cheguei a pirar, essa falta de interesse, esse interesse sem falta, toda aquela algazarra parecia mais emocionante quando eu não queria tentar, sai do poço e fui direto pra lá, para dentro da gaiola no meio do espaço sem volta ainda presa mas sem paredes de terra e com fendas para eu respirar, eu cansei de ficar lá, te olhando me encarando, te encarando, nos olhando, sem nada a falar, o tédio, até nesses momentos, consegue nos pegar.
Então para o espelho consegui olhar, e foi a pior coisa que eu fiz, não vou negar, vi em mim a culpa que eu gostava de jogar e vi também o medo no meu olhar (eu no espelho sussurrando: como você consegue se olhar?), olhei para o céu e ele quase me fez cegar e então em desespero acabei de me encontrar. E o que ele fez? Ele abriu, a gaiola daquele covil, e foi o pior dos seus erros vil, naquela hora me soltar, quando sai fiz sem pensar, me joguei da gaiola achando que ia voar, e voei, por poucos segundo eu flutuei, um pouco antes dele começar a cantar.
Moça, sai da sacada, você é muito nova...
pra brincar....
de morrer....




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